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Musa trans abre portas para a diversidade
07/02/2018 10:12 em Famosos

Kamilla Carvalho será um dos destaques do desfile do Salgueiro

 

Aos 14 anos, quando desfilou pela primeira vez em uma escola de samba, Wagner Carvalho não se reconhecia na imagem que via no espelho.

 

Hoje, depois de 16 anos, algumas cirurgias e um longo processo de autodescoberta, a agora Kamilla entrará para a história como a primeira musa transgênero da escola Acadêmicos do Salgueiro e, segundo a agremiação, a primeira de todo o Carnaval carioca.

 

"Ao mesmo tempo em que eu estou feliz eu também carrego uma grande responsabilidade", disse a carioca de 30 anos, em entrevista à Reuters. "Porque não tinha espaço, então você acaba agregando toda uma responsabilidade de um público, que te vê como exemplo, que torce."

 

Nascida no Morro da Providência, Kamilla sempre foi apaixonada pelo Carnaval: desfilou pela primeira vez aos 14 anos, em uma pequena escola de seu bairro, e começou a sair em carros alegóricos no Salgueiro em 2008.

 

Entretanto, foi apenas no ano passado, quando conheceu a presidente do Salgueiro, Regina Celi, que recebeu o convite para atravessar a Marquês de Sapucaí em uma posição de destaque. "O ápice da minha felicidade", descreveu a carioca, que também trabalha como cabeleireira.

A preparação para o Carnaval exigiu uma mudança de dieta, rotina de exercícios diários e ensaios duas vezes por semana até o desfile.

 

Dez anos após desfilar no Salgueiro pela primeira vez, Kamilla representará uma rainha como parte do enredo Senhoras do Ventre do Mundo, que exalta a força da mulher negra. "O enredo fala de mulheres, dos primórdios, mulheres guerreiras... Fala de pessoas que possibilitaram que mulheres hoje se empoderassem. Eu acho o enredo super a minha cara", disse.

 

A presidente do Salgueiro, Regina Celi, afirma que é natural ter uma representante trans na escola. "Uma vez que o ser humano se identifica com o gênero feminino e assim se sente e se comporta, num universo tão diverso, é natural que tenhamos essa bela representante trans", disse à Reuters. "Kamilla vem somar-se a uma gama de mulheres que amam o samba e defendem a bandeira vermelho e branca".

 

 

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